O PROCESSO CRIATIVO

Processo Criativo Ana Maia

Mente de artista é assim…
Tem dias que jogo tudo pro alto
e vou pro brejo.Descobrir novas luzes,
…novas manchas,novas aventuras…

As diferenças me atraem.
Fico perplexa com o que vejo:
miséria e uma plasticidade incrível !
A cada novo dia, uma nova luz,
uma nova sombra; um novo suporte…

Os impressionistas do passado tirariam
caldo dessa paisagem !
Vila Brejal é o local que me “embrenho”.
Brejal vem do brejo, solo alagadiço banhado
por águas doces, no caso a Lagoa Mundaú,
diferentemente do mangue ,solo de
características salobras.

Enxergar esse antagonismo na nossa
realidade é doloroso.Mas ,há algo belo
e imperceptível aos olhos dos ingênuos
moradores brejeiros quanto à sua paisagem.
Paisagem tumultuada por palafitas,choças e
barracos ,criados por mãos ágeis
de quem tem pressa por um teto !

Já sou conhecida por lá.
Aliás,muito bem-vinda pelos
moradores que me acolhem com
o carinho típico do povo humilde e alegre
daqui.
-D.Ana… hoje tem sururu e unha de velho !
Compro tudo,como também dou palpite em tudo.

Escuto suas histórias e falo sobre as minhas.
No meu retorno, já levo comigo fotos de meus
trabalhos inspirados nas manchas
incríveis que consegui captar.

A reação ? Risos…muitos risos!!!
Um misto de dúvida e perplexidade
do tipo: “ Oxente..não é que ela é doida mesmo ?!”

Já descobri inclusive talentos que hoje
estão comigo no atelier.Um deles Fernando,
que ,de tão desligado e criativo, o apelidei
carinhosamente de “Fernandinho Beira o Ar”.

Certa vez, levei comigo Rico Lins, um
dos maiores designers gráficos do mundo,
juntamente com Julieta Sobral,arquiteta
e designer, neta do célebre
Lúcio Costa ,o grande idealizador de Brasília.
Eles “piraram’ ao verem tanta riqueza de
imagens e energias vibrantes.

Fiquei feliz ao ouvir do Rico :“Ana,além de
conhecê-la melhor eu agora percebo muito
mais sua obra .”Mas o que me deixou mais
entusiasmada foram eles terem topado
meu roteiro de visitas excêntricas.
Após sairmos da Vila Brejal,levei-os
para conhecer a “feira do rato”, montada
às margens do trilho do trem, aqui em Maceió.

Quem nunca viu essa cena não
conhece nosso povo, nossos costumes,
nossa alma !
Quantos cineastas não dariam a vida
para rodar uma cena dessas : O trem apita
e todos os feirantes vão se retirando como
o movimento de “ondas” ,e retornam imediatamente
quando o último vagão passa.
Dá até pra contar: um,dois,três,..pronto.
Lá estão eles de volta todos os dias o dia todo ..

Levanta,
coragem,
arregaça as mangas.
Aos trilhos da vida !

Ana Maia